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Houaiss




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INDÍCIO

Limites difusos de pode e não pode. Loucura tácita. Tacitíflua. Correm as horas atrás das distâncias. Correm os dedos atrás das carícias. O silêncio cala a espera e arrebenta em beijos. Gosto de pecado pede sempre mais. Tem redenção - tem? - entre meus lábios. Coxas. Lábios. Olhos. Lábios. Entre, sempre. Meus cetins encaixados no teu corpo. Brilham lisos em tua boca sazonal. Escorrem as chuvas de verão imergindo camas, panos, línguas. Submersas todas até o último poro úmido. A insanidade atravessa a rua e abre a porta. Instala teus mistérios e segredos na minha sala sempre quente. Nos meus panos azuis, nos origamis sobre a cama, alta e altar, nos copos de água gelada. Todas que te habitam me chamam. E eu sempre vou com as minhas todas. Prazeres plurais. Que coisa é essa? Que nome tem? Eu não li em canto algum, só no teu corpo encaixe do meu. O que é e não é teu. As janelas suspeitam desejos. E as certezas se fazem na pele a cada hora.



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INCÊNDIO
 
Derreto. Sobre você, que verte desejos combustíveis. Cabelos e lábios molhados e uma infinidade de temperaturas desérticas. Fosse inverno também arderia. Sempre quentes em teus dedos minhas passagens. Teu sabor que não é teu. E é. Boca adentro e me invade feito os beijos parados no tempo. Quero teu gosto cintilando na minha língua. Água que mata a sede. Porque é quando você desliza em mim que eu nem sei mais nada. E é na mistura e nas trocas e na confusão dos papéis embaralhados que eu mudo de cor e de estado. Líquida e rubra. Para você, nas horas febris que fogem em silêncio do todo dia que quase nunca muda. Ires e vires. E você misturada nos meus tecidos. Certos momentos são tanto que não há palavras. Quieta e entra inteira em mim. Eu gosto das tuas caras e das tuas mãos. Eu queria lamber os teus dedos e os teus braços e os teus bicos e afastar a tua força e te provar tão minha. Porque te ter na minha boca é te ter para mim. Alguém canta, mas só uma voz me atravessa e nem diz nada. E diz tudo. Eu não sei que coisa é essa, o desejo. E no meio da tarde eu lembro. E a saia dança para lá e para cá sem fim. O calor nunca pára e o depois custa a chegar. Às vezes isso me assalta assim. Em mim. E sem demora.
 



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LEVE

Há sorrisos cravados nos lençóis úmidos. Brincam os prazeres sobre a nossa cama mutante. Ri, ri, enquanto me entra devagar e me toma tua. E a minha dança te cerca entre livros e mesas de refeição. Não se demore na realidade nem um segundo. Colha prazeres redivivos dos minutos pungentes do nosso tempo. Mãos que descem por bordas de tecido branco e que sonham de noite com subidas abissais por fendas abertas. Corpo no corpo tão perto que entre lento. Não durmo porque te ouço convite pela noite adentro. Não se aquieta esse prazer que ri e que pulsa e brilha molhado nos teus lábios saindo dos meus. Ocultos. As paredes brancas e a casa vazia e esse jogo subversivo de entrega. Visite meus segredos guardados entre dobras de pele. Eu te abro portas e pernas e silêncios sonoros. Tem cor esse teu quente incisivo que enche essas horas que são tuas. Cartografias de pele e pecado. Traga tua boca falante para dentro da minha e me divida ao meio com tua língua profunda. Cale as minhas bobagens e as tuas gracinhas no gozo-encaixe que me molha toda. Escorra teus prazeres nos meus e se deixe em mim mais um pouco. Alhear, alhear. Porque eu sigo refém dos meus desvarios e te quero sorrindo rios entre as pernas minhas.



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CRONICIDADE

É esse teu gosto que me faz falta. Uns açúcares e sais e uns sumos cítricos e qualquer coisa de alcóolica que vem da tua boca na minha. E também me faz falta o teu cheiro invadindo minha pele e outras invasões mais densas. Subversões da norma. E segue quente e segue sempre e segue sendo delírio e pecado. É nos meus encaixes e nos teus encaixes que escapamos da rotina. É na rotina insana de ires e vires e dentros e mais no espaço-tempo-segredo espécime rara latente na carne que eu fujo e você foge dentro de mim. São os nossos pequenos segredos-prazeres. Incurável, posto que é fantasia. Um oásis devaneante dentro da tua boca voraz. Marcas e marcas e marcas. O pecado brilha mais, pede mais, grita mais. Você me escorre prazeres ímpares. Demore-se em mim o tempo que houver. Todo tempo que houver. Como se ele fosse outro que não o tempo das horas corridas na vida de sempre. Como se ele fosse só nosso e o resto, nada. Mas apenas ali. Porque tua e minha têm outras semânticas nesse jogo de desejo. Misturam-se na carne carmim que túrgida arrebenta e brota. Pertencer visceral e fluidos embaraçados. Devasso, carnal, limiar. E de tempos em tempos me pego tua. Aflita de um querer indisfarçável. Ávida. E te sei pensando em curvas e lagos meus em horas inoportunas. E o controle no embate com a distância que nem há. Silêncio agora. Beije-me e mais nada.



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MARCA

E os olhos abertos no teto branco enquanto dedos incertos percorrem as rubricas do teu desejo. Uma, duas, três, quatro memórias tinturas aqui e ali. No corpo, na cama, na boca e na sede do gosto teu. Há qualquer coisa do teu poder que se recusa a deixar minha carne. Ressoa em ondas sob os poros coloridos. Alheios ao desejo que derrama e chama, o tempo sempre corre e o relógio sempre pulsa. Não mais que os meus dentros nos teus dedos, mas sempre rebrilham lembrando de lá fora. Eu queria reter nos bolsos, nas malas, debaixo dos lençóis, atrás das portas trancadas, no meio úmido das pernas, o prazer que exala, emana e brota. Escorre transparente pela testa, nas ondas dos cabelos, entre os seios, desvia do umbigo e desce todo pelas brechas, pelas dobras, pelas coxas. E há a tua língua que me comove a pele. E entra deslizando contornos-fendas. E te ouvir gozar e te chamar pra mim. E mergulhar lábios nos lábios. E as tuas cheias serem para me inundar. Boca e sexo. E ser a mistura na carne que vibra. Eu, você. E o desejo ser maior que as horas, que o senso, que as possibilidades. E ser imperativo na minha voz que se enrosca nos teus cachos e te penetra ouvidos atentos. Prazer, prazer, prazer. Você fala de última vez. Repete (pra mim? pra você?). A boca se despede no beijo. E a porta fecha e o desejo fica e o desejo vai. Ciclos e ondas e marés sempre cheias. Sempre...



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FOCO
 
Imagem embaçada na retina. O tempo vai envelhecendo a memória em sépia. O que impede é o medo do ver e não tocar aflito. Decorei os contornos da tua boca, mas há meses. Eu te espio em exibicionismo inédito, você diz em letras. E eu exercito meu voyeur oculto. Quero dedos de te alcançar aí. Dedos teus aqui e dentro. Quantas páginas de tua letra azul misturada nas minhas negras? E teus traços seguem atrás da janela de vidro. E as curvas minhas. E as contundências tuas. É sevícia e é carícia. Paradoxo que pulsa entre as pernas. Há o abrir e o afastar e o dar a conhecer. O lado de dentro que eu toco e você quer tocar. Tua mão que segura o que minha boca quer. Quer teu beijo, quer você, quer teus sabores. Transcende o impenetrável e goza dentro de mim. De você. Sentir sem sentir, sem sentido. Mas é.
 



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BOCA
 

 
Tua boca-expedição circunscreve meus limiares de controle. Cerca minhas fronteiras de defesa e invade minhas trincheiras de proteção. E a tua língua rodopia sobre minha sanidade. E os teus lábios me arrancam gemidos e marcas na pele. Suga. A tua força desejo me abre e me rende. Eu exposta sou tua, fruta vermelha se desfazendo em sumo à primeira mordida. Lambe. E a tua língua me desliza e me tangencia, mas também me penetra profunda. Densa me invade. Frente e verso. E me destila e me liquefaz. Lábio a lábio me torturando. Da força que eu gosto na carne nua. Desnudando lençóis freáticos com teus dentes imoderados. Tua boca ata-me. E as mãos afastam e os dedos abrem e a língua toca. Túrgido sinal de alerta. Antever-te mergulhada na tarefa de me consumir (tem me consumido esse desejo). E abertas pernas e lábios e vem e chupa e faz. Desígnios de gozo em ondas sobre a cama. Escapam pelas dobras e ganham coxas. E alagam língua e lábio e céu da boca. E bebe.


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LIBER

Vem e diz aqui bem perto. Tão perto que minha pele te ouvisse calada. Te quero. Liberdade. E que da tua boca, tão próxima dos meus desejos úmidos, só saíssem sons de sins e sins e sins. E teus lábios estivessem nos meus. Aqui e ali. E teus olhos revirassem minhas curvas e teus dedos cravados na carne. Violentos e intempestivos feito água arrebentando os diques. Libertinagem. Eu peco, tu pecas. Te absolvo entre minhas pernas se me beijares a boca todas as vezes depois do gozo. E todos profusos, profícuos, prolixos. Vem te certificar das tuas memórias de pele. Vem redescobrir o cheiro, o gosto, o tato. Vem me ouvir te chamar. Mais. Aqui. E aqui também. Liberaleza. Vem que o teu descanso é em mim. Repousando trêmula dentro da minha boca. O coração batendo no meu. Dentro de mim ainda. A noite toda liberta. Te. Dentro de mim ainda. Uma vez mais. E outra. E outra. Dorme aqui misturada de prazer. Revirada por dentro. Tua desordem na minha cama.



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HIPERAFRODISIA
 

 
Há ciclos e ciclos e ciclos. E ciclones vermelhos. Idas e vindas de uma coisa qualquer que eu chamo desejo e que são muitas pequenas vontades nos rodamoinhos sob a pele que é minha. Só. As minhas sinestesias do cheiro do sexo na língua, do gosto de dedos dentro de mim, dos sons macios da pele na pele. Fantasias superlativas tingindo o real das tintas minhas. Intensas na medida em que eu sou. São? O desejo crônico que agudiza. Latência que não mata. Fisga. Obsidia. Mas sabe que é devaneio, que é criação. Taquicardia, taquipnéia, hiperestesia, alucinação. Meus sentidos alterados me ludibriam com meu consentimento explícito. Consentimento despido das vestes puras, da razão sensata, dos cintos de segurança, da realidade morna. Quero a profudidade para além do que a mão toca. A carne rubra vertendo água. O gozo que é só aqui. Eu quero as palavras ditas com todas as letras maiúsculas dentro dos meus olhos abertos. Quase tudo por certos prazeres. Quase. O meu desejo de origens incertas tateia no escuro e não acha. É tátil sim. Mas é também da volúpia do intelecto. Exige admirar. Ele rabisca frases sem destinatário no papel sobre a mesa úmida. Ele fala para si delirante. Origem e destino. Causa e efeito. Autolimitante. Ilimitado.


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CICLO
 
Não tem jeito. Tem? Não temos. Há 437 vontades rondando o meu sossego e todas elas conspiram silenciosamente com as tuas outras tantas e não me deixam dormir em paz. Molham o lençol, molham as frestas na pele, molham os lábios perdidos. Certas coisas vêm e me atropelam. Nos. Metáfora. E eu conheço o teu segredo profundo em mim. De desajeitos e marcas cravadas na pele, de dedos simultâneos e palavras diluídas nas enchentes da carne, de mãos fortes e cheiro de sexo, da subversão do comum e de um beijo redondo que me envolve a boca. Por que tudo é longe e sem tempo? Queria o prazer inundando o calendário, as agendas apertadas, as horas do dia. E respingando nossas bocas misturadas. É, sim. Vontade de tudo de novo. Há outros prazeres possíveis, mas há o jeito teu de me fazer gozar. E de molhar em mim. Encaro de frente o desejo de outra madrugada contigo. E todo o tempo do mundo pra te ter em mim. Ser tua completamente enquanto me aquece a boca o teu gosto-gozo. Silenciam meus eufemismos e sutilezas quando o desejo é carne ardente, latência intensa da puta em mim. É dor e marca na pele. É beijo doce e mãos sutis. É mistura ambígua. É qualquer coisa que não há no dia-a-dia, mas há nos dias que escorrem em nós.
 



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CONTRA

Que tamanho tem o desejo fúria que arranca o gozo que não tem controle? O que alimenta o delírio de ter e não ter? Como é que se sacia uma vontade que não tem lugar? Nem tempo? O que tem? É no encontro da tua força e da minha vontade de ser forte no poder de me dar, de ceder, de entregar. Papéis. Eu posso quase todos, mas prefiro as folhas em branco se oferecendo aos teus pincéis e versos. Me rabisque da tua língua de fera, dos teus dedos ápices, da tua fome voraz. Incisiva como a intensidade que me divide ao meio. Há o sangue que corre nas veias e não quer parar. Há a liberdade de poder tudo dentro de mim. Quer? O que quer? Eu te prometo quase todos os pecados carnais. Todos os que sei na carne que quero contigo. Olhe aqui. Toque aqui. Sinta o poder que tem. Que me tem. Tudo porque você me revira as entranhas e me deixa em estado de choque. Tudo porque eu sei que conheço os teus caminhos até minha cama. E você percorre todos seguindo minha voz (dentro do teu ouvido você sabe o que eu digo). Conhece as minhas palavras todas, as minhas maldades distantes e os meus sabores mais íntimos. Inspire. O ar entra repleto dos meus gemidos... E pra onde vai? Por onde sai? O que te aquece aí dentro? Que nome tem o que sobe pela tua pele na minha, crava os dedos nas coxas tensas e te invade entre as pernas te tirando do centro? Não? Venha e se encoste a mim. Eu quero você resvalando os meus domínios de água. Eu quero o idêntico do teu corpo adesivo no meu. Venha e se acomode escorregadia nas minhas intimidades brilhantes. Eu quero a tua força me pressionando, te pressionando. Contra. Eu quero ouvir você dizer de novo que vai gozar em mim. E ser verdade. E escorrer teus sumos doces e preencher meus sulcos. Eu quero o teu encaixe de fogo. Eu quero as tuas densidades nas minhas e o fim da distância. Tão perto quanto é intenso.



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PROFUNDO

Do gosto das coisas que se pede sem dizer. E da língua invasora e dos dedos ágeis na carne tensa. Intensa. Do fechar dos olhos e curtir. E as mãos escorrem pelas costas deflagrando sonoros poemas lúbricos. É o ter na pele e querer na carne. Desprendendo das veias o rubro dos lábios secretos. E afasta, delicada, as divisas. E expõe e mergulha, nos entres profundos, nos dentros molhados, nos desejos ocultos sob a pele. E desliza por caminhos outros, colhendo dos sabores e mistérios que ela tem. Cada um dos óbvios e todos os demais. Da pele colada na pele, do denso pedindo pra entrar, dos olhos dançando nas ondas das curvas mais belas. E a respiração suspensa pela urgência de senti-la derramar.



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FEMININO

Há um cheiro doce dos poros e um gosto que penetra na língua. Há as curvas e as pequenas marcas na pele e os dedos que se embaralham nos meus e a palma quente da mão. Há o silêncio e a frase curta e profunda que diz e que chama. Há o espelho íntimo do outro ser como eu e ser diverso e ser igual e ser outra e não outro. Há sempre o beijo do encaixe. Há a pele macia na minha e um trajeto de mãos pelos desenhos do corpo. Há o ventre e os seios e as coxas afastadas e o abismo das costas. Há o doce e há o forte. E os olhos nos meus bem dentro, buscando as cores e o que há por trás, por dentro e no fundo. Há o novo no outro. Há a força do gozo e a sutileza dos dedos percorrendo caminhos. Há a língua nas fendas ocultas e há o abraço quente do seio no meu. E olhos que chamam pra perto. Há cachos nos cabelos e línguas espirais. E sempre estão lá as palavras não ditas. E depois derramando vermelhas sobre o papel que não há. Há os ciclos e as feminices nossas. Há a circularidade simultânea das ondas que saem da minha boca para o teu sexo e da tua boca para o meu. Círculo de fogo vertendo água. Há o tatear do corpo novo e o degustar de cada sabor. Há as cenas fixas no fundo dos olhos (e há os desenhos na memória e os flagrantes de belezas em gotas nos gestos, nas cores, nas formas). E há os sons do sexo e a voz feminina mostrando que quer. Há os lábios nos bicos e os dedos afastando os cabelos e desnudando a vontade de ver. Há as línguas tocando as pontas. Há a fome do gozo da outra. Há o feminino que invade o corpo também. Penetra e ocupa e se perde. Há os verdes, os rosas, os vermelhos e o que brilha na ponta dos dedos molhados. Há a mistura homogênea e as soluções alquímicas. Há o encontro dos semelhantes e as tantas possibilidades. Há o domínio, a força, o poder e há a reciprocidade e o equilíbrio. Há uma língua na minha e dedos que me transpassam. Há trinta e cinco mil beijos e a mão deslizando sutil entre os cabelos. Há o gozo. Os. E há, sempre, a vontade de não ir.



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FÉRIAS

Hoje o dia passou colorido. Escolhendo cadeiras vermelhas, arremessando bolas multicor em pinos insistentes, esvaziando tulipas douradas. Domingo dos pequenos prazeres da vida. E amigos. Férias rápidas na terra da garoa. Dias de deleites preguiçosos e encontros prazerosos (mesmo o todo especial que não foi - conspiração das agendas e do hard work nosso de cada dia - continua sendo do top list dos prazeres da carne e de todos os outros ao teu lado). Madrugada de quinta-feira no inverno ártico da Paulista e perambulando perdidas pela cidade alheia atrás de um locus para o que realmente importa na vida (sim, eu sempre exagero na importância de certas coisas importantíssimas). Sexta-feira dorminhoca e de risadas enchendo os ares, os copos, a vida. Porque amigos são poderosos em nos fazer lembrar quem somos e a que viemos. Sábado inaugurado por uma ciocolatta fervendo olhando a praça das antiguidades se aquecer e se colorir para um dia inteiro de paulistices gostosas. E o resto do dia para a preguiça, a leitura e os devaneios de sempre (desejos que perduram e que gotejam teimosos no meio da minha testa - certas torturas são tão desejáveis!). Uma noite de encontros virtuais de fazer inveja à realidade do entorno (certas queridas deveriam ter passe livre nas companhias aéreas para dividir um choppinho, um café, um sofá macio em noites risonhas de sábado). De geringonças sexuais portáteis a mulheres nuas trancadas para fora na chuva, nada escapou ileso à convenção das bruxas do meu PC. E agora a mala pronta para retornar à casa com uma certeza tão boa de que qualquer lugar é lugar. Porque o que é bom, carregamos. Portáteis. Indispensáveis. Sempre... E Salvador talvez nem seja mais tão desconfortável. Porque, enfim, os livros já já estarão de novo nas caixas. E eu seguirei, nômade. E tudo bem...

O post é diferente, mas, no cerne, é tudo a mesma coisa. Desejo e Prazer (com P maiúsculo sempre). E justifica a ausência sentida (ao menos por mim). E homenageia as companhias queridas desses dias de São Paulo...



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DIÁLOGO

- Oi...
- Oi. Sumiu...
- Sumi.
- Fez falta...


E as minhas palavras escritas te emocionaram e as tuas trouxeram tudo de volta.

Eu quero um gozo sinônimo de encanto. Encantamento. Quase mágica, talvez. Ainda quero gozar com você. And you? Profundamente... Completamente cheia de vontade de te beijar bem devagar. Closer and deeply. Bem dentro. Bem dentro. Bem dentro. Pede. Eu peço. Venha dizer aqui dentro quando é chegada a hora. Quando de novo. Estou marcando nas paredes. Intensamente que fosse agora - desejo. Setembro de primavera e flores e você dentro de mim. Once more. Tempo para não fazer nada dentro de mim. Ócio produzindo gozo. Prazer agora. Não seria tão? 'As palavras voam'. Sim, mas não te trazem. Se eu repetir 1649 vezes teu nome, você surgirá entre meus entres? Repito, repito, repito. Hoje tive vontade do teu beijo. Janta comigo? O que? Você? Te prometo um jantar de sabores e cheiros e sensações deliciosos. Eu me abro pra você e te chamo. Venha... O gozo na boca e a bebida. Inebriadas. A vontade não passou. Passará? Quente de vontade de te ter dentro de mim. Fundo. Perto. Forte. Toda. Isso deve ser algum tipo de alucinógeno. Sim, mas eu prefiro delirar com você dentro (te beijando a boca e te dizendo, entre os teus lábios, que quero gozar com você). Teu gosto de novo enchendo a minha boca. Soon. I hope so. Teus sabores todos (boca, bico, sexo, pele, pau). Malvada. Sou. E safada e linda e gostosa e tua (sempre que você for minha). Tão perto que não haveria nada entre. Entre. Os teus nos meus. As tuas nas minhas. Deveria me beijar agora. Deveria oferecer tua língua para que eu chupe. Deveria estar aqui bem perto me pedindo tudo e eu te dando tudo e te pedindo mais. Deveria estar gozando agora no meu corpo e me molhando e se molhando e misturadas. Deveria sim. Por todo canto, por toda fresta, por todo lado que pudesse entrar. Menina... É essa vontade que não vê a hora. Venha dizer no meu ouvido, assim que tocar de novo, e sempre pela primeira vez, meu sexo sob a roupa.

E então falamos de encaixes experimentados juntas. E das tuas palavras materializadas (Sent message. I'm still here).

Então, venha. E diga. E faça comigo. Aqui, um erro de continuidade. Sim, depois daquele dia em frente ao mar, não mais. Erro grave na continuidade do desejo. Era antes. Deveria. Must be. Não foi. Ainda quero. Eu também. Setembro... Você é uma dama. Merci. Je vous en prie. Lhasa de Sela. Lemon Jelly. Coma morangos. E você junto? Vou poder te beijar durante o expediente? Vai. Demora!? Ana Clara... Guilty! Mas estamos aqui. Por isso. Por ela. Você nua na minha cama misturada à megacidade cinza. Anywhere. Qualquer cidade. Qualquer lugar. Eu nua pra você. Prazer. Sempre... Tanto maior quanto mais dentro de mim você estiver. Mais profundamente. E em mais lugares dentro de mim. Tantos quantos forem possíveis. Todos? Juntos? Agora. Mande que eu faço. Juntos, agora, e juntas, no gozo. Sincronicidade. Reciprocidade. Simultaneidade. Dentro de mim toda, toda dentro de mim. Assim bem perto para sentir teu coração batendo forte. Me sentir gozando com você - coração, respiração, gemidos, calor. Quero sentir e ver e ouvir você gozar de novo. O gosto do teu gozo na minha boca. Teu cheiro em mim. Vontade de te beijar imensa. Podia estar agora sobre mim, encaixada, deslizando teu sexo no meu. Venha, em mim, assim junto, aqui dentro. Bom contigo. Idem. Noite perfeita para te ter entre as minhas pernas até dormir. Por que? Não há aquele calor infernal (basta para mim o teu calor), agora há só o silêncio e a música boa e a vontade toda. Amor sem sexo? Venha cá fazer comigo, pouco importam as eloquências.

- Sempre...
- Sempre...


(do non sense do desejo)



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