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Houaiss




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TEMPO

'Eu quero tempo com você'. Tempo de dedos lentos e profundos, tempo de língua quente e viajante, tempo de 'entres', de 'dentros', de 'agoras'. Eu quero um tempo feminino que escorra displicente entre as tuas pernas, como areia de ampulheta. E nunca cesse de escorrer. Quero teus dedos ponteiros marcando as horas circulares em volta do meu umbigo. Quero teu tempo de cheias, tua maré alta, tua lua crescente, te quero repleta e me completando. Quero os cronômetros mudos-estáticos na hora do gozo (o tempo pára, sim, para nós). Quero o 'feitiço da lua' e recomeçar, recomeçar, recomeçar e sempre fazer diferente. Quero segundas oferecidas, terças displicentes, quartas solitárias, quintas escancaradas, sextas rendidas, sábados bem colocados e domingos sem descanso. Quero uma manhã inteira para te degustar, toda uma tarde para te ter em mim e uma noite imensa de deleites e carícias. Quero as horas desfilando em slow motion – lentas, quentes, envolventes. Quero tempo para te olhar, te reter na memória dos meus lábios, te conter no meu dentro, no meu fundo, no meu mais. Quero teus movimentos cíclicos, repetidos, insistentes, revirando e revirando minha rotina. Quero te ter ao meu alcance nas 24 horas dos dias que forem nossos e a qualquer hora saciar a vontade da tua pele. Não quero as ausências da distância, quero meus cinco sentidos em você. Logo. Hoje. Com urgência. Meu desejo tem pressa da tua demora em mim...



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OÁSIS
 
Nesses dias de confusão, atentados, viagens, telefones tocando e problemas para resolver, tudo que eu queria era o teu beijo. O silêncio do teu abraço nu e a despreocupação das nossas bobagens virtuais. Eu queria uma risada boba e uma conversa boba, um chope e os dedos enrolados nas voltas dos teus cabelos. Eu queria prazer sem hora para acabar, eu queria desejo curtido em caminhos de saliva, eu queria lábio, língua, boca, bico, pau e sexo. Eu queria que o mundo fosse só uma cama, eu, você e os nossos versos, as nossas prosas e as nossas vontades. Um intervalo, uma pausa, férias nessa sina eterna de pensar. Queria não pensar entre os teus lábios. Queria que tudo que me ocupasse fosse o teu desejo, me invadindo, tomando e possuindo. E que ali, entre as minhas pernas, você também não tivesse nada com que se preocupar. Fosse só a vida se desmanchando em líquidos femininos e se multiplicando em gemidos e pedidos. Fossem só os sentidos e os desejos. Desligar a mente e entregar o corpo. Teu, tua... Eu queria te sentir e mais nada.
 



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GOZO
 

 
 
Intraduzível. Desperdício de palavras tentar dizer do que sinto quando tudo que entra com você em mim sai em gotas, em rios, em ondas pelo meio das minhas pernas. É o delírio dos sentidos fora de órbita, é um não-tempo, um não-espaço, é a urgência da pele em desalinho. É um afã insano de te ter dentro de mim, de estar dentro de você. Entrando pelos olhos, pelo nariz, pelos ouvidos, pelos lábios entreabertos, pelos poros úmidos, pelas mucosas abertas. É um estado de sítio. É um estado de graça. É descontrole fisiológico e o sangue deixando o corpo todo e invadindo o sexo. É o ritmo da minha respiração sincronizado com teus movimentos molhados, orgânicos, profundos, dentro de mim. São os olhos fechados e o gemido infindo. São os lábios inchados, o vermelho do sangue, o fluido da carne. É o teu corpo tão belo na penumbra do quarto e no encaixe no meu. É o suor descendo insistente pela curva do seio. É o bico pontudo e a saliência do sexo. É o que escorre, vaza e transborda. É o que aperta dentro para não deixar sair. É o prazer difuso, profuso, prolixo, arrebatando o corpo, a cama, o quarto. É a vontade virando indícios molhados. Sou eu me fartando e você se servindo de mim sem demora. É você molhada no meu abraço depois do gozo. É você aqui, no meu beijo, agora.


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DESEJO
 
Não pode. Não deve. Não dá. É longe. É pecado. É loucura. Agora acabou. Paramos aqui. Só mais essa vez. Ainda quer? Fosse simples dizer não, teríamos dito. Não foi. Impossível mandar esse impertinente calar a boca e recolher-se ao seu canto. Ele se faz de surdo, sorri um sorriso indecente no canto da boca, caminha pela sala sinuoso. Ele não. Ela! Esse desejo teimoso é mulher. É libido, é volúpia, é vontade, é luxúria, é delícia. É uma femme fatale dançando pelo quarto escuro e se despindo num strip tease provocante e jogando as roupas pelo chão e passando as mãos entre as nossas pernas e nos beijando a boca com uma boca picante, molhada, vermelha, carnuda. Sobre a cama, quase um menage. Eu, você e esse desejo fêmea que nos devora. E a Etta James canta sem parar 'I memorize every line'... E enquanto você destila mansinho tuas propostas, teus chamados, tuas linhas em negrito, eu lembro de você dentro de mim em frente ao mar. Ela não me deixa esquecer, ela sussura no meu ouvido feito um diabinho de seios fartos e tridente vermelho: 'não esquece aquela mão em volta da tua cintura, aquela boca escorregando entre as tuas pernas, aqueles dedos te acertando em cheio onde mais arde'. Eu tento, eu tento, eu juro que tento. Eu tento pensar no El Niño, na dívida externa, nos dogmas da santa igreja católica. Mas a tua boca perturbadora parece inscrita a fogo na minha pele. Eu sinto o teu cheiro nas minhas mãos desde aquela segunda-feira corrida (desde antes, desde o dia em que a cidade ficou ainda mais linda no meio dos teus beijos molhados). Ela me obriga a me virar, a me deitar de costas para você, ela me pede para ficar bem quieta e corre para o teu lado. E ela te diz: vai. E você vem sobre mim e afasta os meus cabelos molhados e lambe o meu pescoço e morde a minha nuca e desce pela minha coluna num caminho de língua, de lábios, de dentes. Você domina minha geografia e descobre meus lençóis subterrâneos. Você me lambe de um lado, de outro, no meio. Você molha os meus segredos com a tua língua certeira. Você me faz desejar tudo. Você me faz inteira entrega, inteira tua, inteira desejo. Você me faz pedir, implorar, para te ter dentro. Você me faz não suportar mais de vontade e querer imediatamente a dor, a delícia e o gozo. Vem...
 



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BEIJO

É quando a saudade acaba na tua boca. É quando os teus lábios misturam-se aos meus e a tua língua entra lenta e funda e quente e úmida na minha boca entreaberta. É um deslize lúbrico para dentro. É quando o teu gosto me chega pela primeira vez de novo ao céu da boca. É quando colho o teu primeiro sabor que se oferece à degustação. É quando o teu cheiro me invade, as tuas mãos ultrapassam os limites de pano, você cola o teu corpo no meu e eu sinto... É quando acaba o ensaio virtual, as formalidades-disfarce e o desejo acontece próximo, íntimo, perceptível. E ele cresce, cresce, cresce e escapa da boca. O teu beijo profundo não cabe mais na minha boca e foge dos limites dos meus lábios molhados. Quer mais, quer um beijo de corpo inteiro, quer um imenso beijo molhado que me domine a pele, que alcance intenso outras portas abertas e me derrame sobre a cama. E vai desenhando um caminho de beijos que desce pelo pescoço, sobe em direção aos bicos e os lambuza da tua saliva doce, torna a descer abissal pela minha barriga toda e me abre, me afasta, me expõe e desce... Molhado. Profundo. Lento. Grande. E me beija por dentro. Suga, lambe, entra. Me oferece um beijo de língua que me invade entre as pernas e me sai pela boca em gemidos profundos. Teu beijo me atravessa e me dilui. Tua língua me toca por dentro. Tua boca em silêncio chama meu gozo. Quero você nos meus lábios agora.



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