
DIÁLOGO
- Oi...
- Oi. Sumiu...
- Sumi.
- Fez falta...
E as minhas palavras escritas te emocionaram e as tuas trouxeram tudo de volta.
Eu quero um gozo sinônimo de encanto. Encantamento. Quase mágica, talvez. Ainda quero gozar com você. And you? Profundamente... Completamente cheia de vontade de te beijar bem devagar. Closer and deeply. Bem dentro. Bem dentro. Bem dentro. Pede. Eu peço. Venha dizer aqui dentro quando é chegada a hora. Quando de novo. Estou marcando nas paredes. Intensamente que fosse agora - desejo. Setembro de primavera e flores e você dentro de mim. Once more. Tempo para não fazer nada dentro de mim. Ócio produzindo gozo. Prazer agora. Não seria tão? 'As palavras voam'. Sim, mas não te trazem. Se eu repetir 1649 vezes teu nome, você surgirá entre meus entres? Repito, repito, repito. Hoje tive vontade do teu beijo. Janta comigo? O que? Você? Te prometo um jantar de sabores e cheiros e sensações deliciosos. Eu me abro pra você e te chamo. Venha... O gozo na boca e a bebida. Inebriadas. A vontade não passou. Passará? Quente de vontade de te ter dentro de mim. Fundo. Perto. Forte. Toda. Isso deve ser algum tipo de alucinógeno. Sim, mas eu prefiro delirar com você dentro (te beijando a boca e te dizendo, entre os teus lábios, que quero gozar com você). Teu gosto de novo enchendo a minha boca. Soon. I hope so. Teus sabores todos (boca, bico, sexo, pele, pau). Malvada. Sou. E safada e linda e gostosa e tua (sempre que você for minha). Tão perto que não haveria nada entre. Entre. Os teus nos meus. As tuas nas minhas. Deveria me beijar agora. Deveria oferecer tua língua para que eu chupe. Deveria estar aqui bem perto me pedindo tudo e eu te dando tudo e te pedindo mais. Deveria estar gozando agora no meu corpo e me molhando e se molhando e misturadas. Deveria sim. Por todo canto, por toda fresta, por todo lado que pudesse entrar. Menina... É essa vontade que não vê a hora. Venha dizer no meu ouvido, assim que tocar de novo, e sempre pela primeira vez, meu sexo sob a roupa.
E então falamos de encaixes experimentados juntas. E das tuas palavras materializadas (Sent message. I'm still here).
Então, venha. E diga. E faça comigo. Aqui, um erro de continuidade. Sim, depois daquele dia em frente ao mar, não mais. Erro grave na continuidade do desejo. Era antes. Deveria. Must be. Não foi. Ainda quero. Eu também. Setembro... Você é uma dama. Merci. Je vous en prie. Lhasa de Sela. Lemon Jelly. Coma morangos. E você junto? Vou poder te beijar durante o expediente? Vai. Demora!? Ana Clara... Guilty! Mas estamos aqui. Por isso. Por ela. Você nua na minha cama misturada à megacidade cinza. Anywhere. Qualquer cidade. Qualquer lugar. Eu nua pra você. Prazer. Sempre... Tanto maior quanto mais dentro de mim você estiver. Mais profundamente. E em mais lugares dentro de mim. Tantos quantos forem possíveis. Todos? Juntos? Agora. Mande que eu faço. Juntos, agora, e juntas, no gozo. Sincronicidade. Reciprocidade. Simultaneidade. Dentro de mim toda, toda dentro de mim. Assim bem perto para sentir teu coração batendo forte. Me sentir gozando com você - coração, respiração, gemidos, calor. Quero sentir e ver e ouvir você gozar de novo. O gosto do teu gozo na minha boca. Teu cheiro em mim. Vontade de te beijar imensa. Podia estar agora sobre mim, encaixada, deslizando teu sexo no meu. Venha, em mim, assim junto, aqui dentro. Bom contigo. Idem. Noite perfeita para te ter entre as minhas pernas até dormir. Por que? Não há aquele calor infernal (basta para mim o teu calor), agora há só o silêncio e a música boa e a vontade toda. Amor sem sexo? Venha cá fazer comigo, pouco importam as eloquências.
- Sempre...
- Sempre...
(do non sense do desejo)

FALTA

Eu queria estar aí. E descer devagar pelo teu corpo macio. Eu queria beber o primeiro pequeno gole de você em teus lábios. E me embriagar no maior de todos os goles nos teus outros lábios ocultos. Não esquecerei jamais nenhum de teus sabores provados. Eu queria o teu calor mais molhado deslizando no meu rubro mais intenso (fogo e vermelho num embate de minúsculas terminações nervosas altamente inflamáveis). Eu queria afastar os meus lábios e abraçar o teu sexo com o meu nesse instante. Envolver, abrigar, engolir. Eu queria o teu corpo em desalinho buscando contundente tranpassar-me inteira (aquela força tamanha que parece querer entrar pelos poros, todos, juntos, ao mesmo tempo, e ficar dentro até que as horas acabem todas e não haja mais nada, só o prazer de estar). Eu queria os teus bicos na minha língua picante, ásperos, suculentos, morenos. Pedindo a primeira mordida e o sorver voraz dos amantes (aqueles que se amamdevoram misturados no sangue das faces coradas, no suor nas palmas das mãos, nos cabelos grudados na nuca, nos dedos enterrados na carne, no agridoce das bebidas do sexo). Eu queria as tuas coxas nas minhas e o encaixe perfeito do idêntico. Eu queria a tua pele torturando a minha. E uma língua infinita resvalando os meus contornos lascivos. Eu queria você vasculhando as minhas dobras de pele. Lisa e brilhante do limo, expondo-me à degustação. E a tua língua circular espiral invasora revirando tudo. Eu queria inflamar tuas entranhas te pedindo imoralidades sem nexo. Despir-me dos princípios, dos valores, dos costumes, e ser só mais uma puta te querendo até cansar. Fêmea. Eu te queria preenchendo os espaços vazios dessa falta que você faz. Falta te ter dentro. Falta te ter perto. Falta sentir. Eu queria ver os teus olhos fechados retendo o minuto do gozo tremido, suado, explosivo. Eu queria aquele teu beijo de depois. Eu queria o teu braço em volta da minha cintura me puxando pra perto e se encaixando em mim. Pele na minha pele. Boca na minha boca. Carne na minha carne. Closer...
CONVITE
Venha para perto. Venha sem hora que eu te quero toda, e minha, por todo tempo que houver. E que haja tempo para os beijos doces, as garras cravadas, a carne trêmula, a língua nos sulcos, o cheiro de sexo, o gozo profuso. Entre pela minha porta aberta, sem bater. Invasão consentida. Sente-se e eu te faço meu encaixe perfeito, minha base, meu bem. Quer beber algo? Eu te ofereço meu sumo em cálices de carne túrgida e carmim. Eu brindo ao teu gosto delícia, ao teu cheiro em meus cantos, à tua força motriz. Tem fome? Antropofagia de mim. Escolha o melhor corte, o melhor molho, teus talheres e dentes e boca e língua e dentro. Dentro. Sirva-se da minha loucura faminta e devore-me com a tua. Quer dançar? Encaixe o teu corpo em minhas curvas e escorra tuas mãos por minhas costas nuas. Tua pele na minha, o suor do sexo, a música pulsa e aqui dentro também. Quero teu ritmo forte e teus sons me levando. Eu te trago outros convites ocultos na pele. Tua busca é o evento... O traje é mínimo e não é preciso trazer nada. Quem sabe um vinho tinto para regar nossos beijos etílicos? Quem sabe tuas armas brancas que me abrem, me rasgam, me têm? Eu te quero de qualquer modo e de todos os modos. Cada vez mais dentro, cada vez mais gozo, cada vez mais tua. Venha...
RSVP

PERCORRER

1649 Km. Longe para os passos; logo ali, no delírio do desejo. Atalhos dos teus dedos que me tocam desde aí. Não vêm, mas eu sinto. Não tocam, mas eu sei. Foi ontem? Quanto tempo faz que eu te tive tão próxima que era dentro, tão dentro que era uma? Quem será que autorizou esse desejo desmedido a acontecer bem mesmo aqui? E aí? E não ser junto? Toda vez que 1649 km e um balcão de check in saltam entre a tua boca e a minha, eu vou deixando, no caminho, vestígios de palavras. Uma frase solta, desejos pendurados, convites virtuais, reticências repetidas. 'Keep us so near while apart'. Marcas na trilha. Como as quero cravadas na pele pela tua boca ávida! Eu te beijaria 1649 vezes desde a porta até a cama. Beijaria teus olhos morenos com os dedos enroscados nos teus cabelos escuros, beijaria a tua boca macia tirando tua blusa e subindo minha saia, beijaria teus dedos pequenos e lamberia as pontas olhando teus olhos, beijaria teu falo de fêmea, teu sexo gêmeo, tua similitude distinta. Todos os beijos que eu sei esquadrinhando teus centímetros de pele. Todos os beijos que eu sei diluindo em saliva essa aflitiva distância. Você me atravessa, me transpassa, passa por entre, abre caminho. Toca meu fundo. E volta molhada.
SACIAR
A vontade andava à espreita outrora. Era uma insinuação, uma entrelinha, reticências no fim da frase, o óbvio atrás do disfarce. Há alguns dias a vontade saiu nua do banho e não mais se vestiu. Ela passou um batom vermelho, prendeu os cabelos no alto da cabeça (aquela nuca abissal à mostra) e anda pelos nossos quartos com bicos intrometidos e salientes a nos perturbar. Nudez frontal. Ela se traveste em contos, poemas, diálogos, fantasias, silêncios. Ela vem numa lembrança molhada caminhando pela Paulista depois do almoço (o hotel, os carros, os sons, a cama, tu em mim). Ela me tenta num pedido descarado de deslizar o teu sexo no meu. Melado. Mútuo. Recíproco. Gozo. É um deleite ser mulher e tê-la, mulher, entre as minhas pernas. Encaixe. Não sei mais o que fazer. Reticências. Ponto de interrogação. Não sou eu, só. Ela é que pede (e pede para ti também, eu sei). Imediata e aguda. Porque eu fecho os olhos e sinto teus dedos que abrem, tua língua que entra, teus dentes na carne, teus lábios nos meus, teu falo certeiro, tua pele, teus poros, teu sal. Eu tenho as marcas todas em algum lugar por aqui. É dentro. Vais me pôr louca assim, vontade descarada! Não há mais palavras sedutoras, nem versos indecentes, nem propostas tentadoras. É tempo de tocar, cheirar, provar, ver, ouvir, sentir vibrar, sentir calor, sentir entrar, sair, tomar. Porque eu quero a saciedade de você me preenchendo enquanto eu gozo. Porque eu quero dizer (minha boca na tua) que meu gozo é teu e vem comigo. Porque não dá mais e eu quero mais. Porque, mesmo insano, irreal, irracional, ali sou tua. E tu és minha também, do mesmo modo. Inédito viável, impossível realizado. Minha certeza é apenas o querer. E que hoje, terça-feira, às duas e dezoito da manhã, teu prazer reside em mim e o meu em ti. E mais nada.

Ainda sob impacto profundo de certas palavras...