
MARCA
E os olhos abertos no teto branco enquanto dedos incertos percorrem as rubricas do teu desejo. Uma, duas, três, quatro memórias tinturas aqui e ali. No corpo, na cama, na boca e na sede do gosto teu. Há qualquer coisa do teu poder que se recusa a deixar minha carne. Ressoa em ondas sob os poros coloridos. Alheios ao desejo que derrama e chama, o tempo sempre corre e o relógio sempre pulsa. Não mais que os meus dentros nos teus dedos, mas sempre rebrilham lembrando de lá fora. Eu queria reter nos bolsos, nas malas, debaixo dos lençóis, atrás das portas trancadas, no meio úmido das pernas, o prazer que exala, emana e brota. Escorre transparente pela testa, nas ondas dos cabelos, entre os seios, desvia do umbigo e desce todo pelas brechas, pelas dobras, pelas coxas. E há a tua língua que me comove a pele. E entra deslizando contornos-fendas. E te ouvir gozar e te chamar pra mim. E mergulhar lábios nos lábios. E as tuas cheias serem para me inundar. Boca e sexo. E ser a mistura na carne que vibra. Eu, você. E o desejo ser maior que as horas, que o senso, que as possibilidades. E ser imperativo na minha voz que se enrosca nos teus cachos e te penetra ouvidos atentos. Prazer, prazer, prazer. Você fala de última vez. Repete (pra mim? pra você?). A boca se despede no beijo. E a porta fecha e o desejo fica e o desejo vai. Ciclos e ondas e marés sempre cheias. Sempre...