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CRONICIDADE

É esse teu gosto que me faz falta. Uns açúcares e sais e uns sumos cítricos e qualquer coisa de alcóolica que vem da tua boca na minha. E também me faz falta o teu cheiro invadindo minha pele e outras invasões mais densas. Subversões da norma. E segue quente e segue sempre e segue sendo delírio e pecado. É nos meus encaixes e nos teus encaixes que escapamos da rotina. É na rotina insana de ires e vires e dentros e mais no espaço-tempo-segredo espécime rara latente na carne que eu fujo e você foge dentro de mim. São os nossos pequenos segredos-prazeres. Incurável, posto que é fantasia. Um oásis devaneante dentro da tua boca voraz. Marcas e marcas e marcas. O pecado brilha mais, pede mais, grita mais. Você me escorre prazeres ímpares. Demore-se em mim o tempo que houver. Todo tempo que houver. Como se ele fosse outro que não o tempo das horas corridas na vida de sempre. Como se ele fosse só nosso e o resto, nada. Mas apenas ali. Porque tua e minha têm outras semânticas nesse jogo de desejo. Misturam-se na carne carmim que túrgida arrebenta e brota. Pertencer visceral e fluidos embaraçados. Devasso, carnal, limiar. E de tempos em tempos me pego tua. Aflita de um querer indisfarçável. Ávida. E te sei pensando em curvas e lagos meus em horas inoportunas. E o controle no embate com a distância que nem há. Silêncio agora. Beije-me e mais nada.



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