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Houaiss




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INCÊNDIO
 
Derreto. Sobre você, que verte desejos combustíveis. Cabelos e lábios molhados e uma infinidade de temperaturas desérticas. Fosse inverno também arderia. Sempre quentes em teus dedos minhas passagens. Teu sabor que não é teu. E é. Boca adentro e me invade feito os beijos parados no tempo. Quero teu gosto cintilando na minha língua. Água que mata a sede. Porque é quando você desliza em mim que eu nem sei mais nada. E é na mistura e nas trocas e na confusão dos papéis embaralhados que eu mudo de cor e de estado. Líquida e rubra. Para você, nas horas febris que fogem em silêncio do todo dia que quase nunca muda. Ires e vires. E você misturada nos meus tecidos. Certos momentos são tanto que não há palavras. Quieta e entra inteira em mim. Eu gosto das tuas caras e das tuas mãos. Eu queria lamber os teus dedos e os teus braços e os teus bicos e afastar a tua força e te provar tão minha. Porque te ter na minha boca é te ter para mim. Alguém canta, mas só uma voz me atravessa e nem diz nada. E diz tudo. Eu não sei que coisa é essa, o desejo. E no meio da tarde eu lembro. E a saia dança para lá e para cá sem fim. O calor nunca pára e o depois custa a chegar. Às vezes isso me assalta assim. Em mim. E sem demora.
 



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