
INDÍCIO
Limites difusos de pode e não pode. Loucura tácita. Tacitíflua. Correm as horas atrás das distâncias. Correm os dedos atrás das carícias. O silêncio cala a espera e arrebenta em beijos. Gosto de pecado pede sempre mais. Tem redenção - tem? - entre meus lábios. Coxas. Lábios. Olhos. Lábios. Entre, sempre. Meus cetins encaixados no teu corpo. Brilham lisos em tua boca sazonal. Escorrem as chuvas de verão imergindo camas, panos, línguas. Submersas todas até o último poro úmido. A insanidade atravessa a rua e abre a porta. Instala teus mistérios e segredos na minha sala sempre quente. Nos meus panos azuis, nos origamis sobre a cama, alta e altar, nos copos de água gelada. Todas que te habitam me chamam. E eu sempre vou com as minhas todas. Prazeres plurais. Que coisa é essa? Que nome tem? Eu não li em canto algum, só no teu corpo encaixe do meu. O que é e não é teu. As janelas suspeitam desejos. E as certezas se fazem na pele a cada hora.